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10 de abr. de 2008

O Cérebro Humano




Por Airton Luiz Mendonça
Artigo do Jornal O Estado de São Paulo


O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos. Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio, você começará a perder a noção do tempo. Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sangüínea. Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr-do-sol.
Compreendido esse ponto, há outra coisa que você tem que considerar: Nosso cérebro é extremamente otimizado. Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho. Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia. Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade. Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e, portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo. É quando você se sente mais vivo. Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e 'apagando' as experiências duplicadas. Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente. Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo. Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular (isso é proibido!) ao mesmo tempo. Como acontece? Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente). O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa, em vez de repetir realmente a experiência). Em outras palavras, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa etc. são apagados de sua noção de passagem do tempo. Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida. Conforme envelhecemos, as coisas começam a se repetir: as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações... Enfim, as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades) vão diminuindo. Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.
Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a ROTINA. Não me entenda mal. A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.

Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque). Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos. Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões-postais e cartas. Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).
Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais. Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.
Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente. Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.
Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes.
Seja diferente.
Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos. Em outras palavras, VIVA!!!
Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo. E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais vivo do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.
Cerque-se de amigos. Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes.
Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?
Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida..
ESCREVA em tAmaNhos diFeRenTes e em CorES difErEntEs!
CRIE, RECORTE, PINTE, RASGUE, MOLHE, DOBRE, PICOTE, INVENTE, REINVENTE.....

VIVA!!!

5 de mar. de 2008

Pare o mundo que eu quero descer...


Meus amigos,

Saudações!

Há quase um ano não ia ao Estádio José Mammoud Abbas. Sábado, 1º de março, não sei por qual motivo, resolvi ir ao campo. Resultado: Democrata-GV 0 x 3 Guarani-DV. Que fiasco!
O placar não significa que o time de Divinópolis seja uma grande equipe. Aliás, a zaga tem um grossão chamado Micão (madeira-de-dar-em-doido!). O Guarani teve 3 chances e aproveitou todas. O Democrata teve umas 12 e não conseguiu fazer um mísero gol, inclusive perdendo um pênalti (Ely Tadeu chutou na trave).
A defesa do Democrata-GV é sinistra, fraquíssima. Há um tal de Lúcio, jogador do Atlético-MG, que é o péssimo dos péssimos. Um sujeito que está na profissão errada. Deveria bater uma laje, capinar um lote ou descarregar caminhão na Rua São Paulo. Bonde!!!
Tive saudades do Paulinho Batistote, Darcy Menezes, Jairo (Tanque), Juvenal, Wellington, Pagani, Antônio Carlos ("O Menino do Rio"), Tô e outros. Que pobreza o futebol de hoje, coisa feia!
Acho que vou ficar mais algum tempo sem voltar ao estádio. Jogo do Cruzeiro aqui, nem pensar. Não vou mesmo. Pra quê? Ver Thiago Heleno, Thiago Martinelli, Léo Fortunato, Fábio (frangueiro!), Fernandinho, Charles (péssimo!) e outros "cabeças-de-bagre"? É melhor assistir a um filme do Jason ou do Freddy Kruger (é assim que se escreve?).
Bem, era esse o desabafo. Ah, ainda temos que ouvir as pessoas na rua cantando a música do "Créu".
Pra mim, chega! Pare o mundo que eu quero descer...

25 de jul. de 2007

Conchita Martínez


Conchita Martínez, minha cadela, está completando hoje, 25 de julho, 10 anos. Parece que foi ontem a sua chegada em nossa casa. Pequenininha, olhinhos fechados, patinhas inoperantes. Um filhotinho afastado precocemente da mãe. O lar se encheu de alegria e uma década se passou. Obrigado, Conchita, pelo carinho, pelo companheirismo, pela fidelidade e pela lealdade. Buscamos nos animais aquilo que não encontramos no ser humano.
Felicidades, Conchita!!!

23 de jul. de 2007

TRANSCOLIN



A extinta Viação Transcolin fazia a linha Governador Valadares/São Paulo. Salvo engano, sua sede era em Leopoldina (MG). Após um sério acidente com um dos ônibus e atolada em dívidas devido às indenizações, a empresa vendeu suas linhas para a gigante Itapemirim.
Em 1972, fui a São Paulo pela Transcolin. Eu tinha apenas 5 anos. Bons tempos.

15 de abr. de 2007

Um Pouquinho do Brasil


Por JORGE SANTANA
12 Abril 2007

"Quantos torcedores já morreram no Mammoud Abbas, Marcelo Stéfani, Alçapão do Bonfim ou Vila Belmiro? Nenhum. Esses estádios, contudo, estão vetados para as semifinais dos campeonatos mineiro e paulista. Aptos, segundo as duas federações, estão Pacaembu, Morumbi e Mineirão, que já foram palcos de mortes. A inteligência brasileira é insuficiente pra garantir segurança de vôo. E também pra dar um mísero prêmio Nobel ao país. Sua exuberância só se revela na produção de regulamentos de campeonatos. Já houve caso de time que precisou perder pra se classificar. Passou. A moda agora é atropelar critérios esportivos impedindo que alguns clubes tenham mando de jogos. E não me venham com a desculpa de que os estádios vetados não comportariam todos os torcedores que gostariam de assistir jogos decisivos. Por este critério, finais de Copa do Mundo só poderiam ser jogadas em estádios pra 1 milhão de pessoas. Para oferecer segurança, basta não vender entradas além da capacidade do estádio. E não permitir a presença de torcedores sem ingressos em suas imediações. Assim, nenhum estádio precisaria ser vetado e o critério esportivo ficaria preservado. Impedir o mandante de jogar em seu campo é imoral. O futebol brasileiro merece uma paródia safada do samba de Ary Barroso. Após elaborar regulamentos sem considerações éticas, os cartolas - com um coro formado por jornalistas e torcedores que os apóiam - deveriam sair por aí cantando 'Isso aqui, ioiô, é um pouquinho de Brasil iaiá'."


Esse texto do escritor e cruzeirense Jorge Santana está perfeito.
O problema do nosso futebol são os dirigentes, esses incompetentes, burros (sem ofender os muares...).
Como não deixaram o Democrata-GV jogar em casa, seus fiéis torcedores rumaram para Belo Horizonte. Isso sim é fanatismo.

4 de mar. de 2007

O Último Chamamento


Falar sobre Ecologia? Ah, é muito simples. Vou a um site de busca (Google, por exemplo), digito o termo em questão, escolho o texto mais complexo e bonito, copio, formato e pronto. Belo trabalho teórico. Certo? Errado!
Já está na hora de encararmos a realidade de frente. Colocar em prática o que estamos protelando há anos. Chega de palavras bonitas, projetos fantásticos e nenhuma ação. O planeta pede socorro e pouco estamos fazendo. Até quando vamos esperar? Desmatamento, esgoto jogado nos rios e oceanos, destruição das nascentes, uso inadequado do solo e subsolo, lixo espalhado pelo chão, emissão de gases tóxicos. E continuamos esperando, esperando...
Assisti pela televisão, há poucos dias, a uma palestra proferida pelo teólogo e antropólogo Leonardo Boff. Ele, muito sensato e seguro, foi bastante incisivo: “Estamos chegando ao fim”. A Terra não suporta mais. Engana-se quem pensa que nosso planeta, apenas um corpo celeste na imensidão do universo, vai acabar. Não, quem vai desaparecer é a espécie humana. A Terra vai se recuperar, apesar de levar anos para isso. Sim, caro leitor, é o HOMEM que vai ser extinto. Muitas espécies também nos acompanharão, mas outras sobreviverão. Segundo Leonardo Boff, os cientistas acreditam que os moluscos cefalópodes (polvos e lulas) é que dominarão o planeta. Por favor, nenhum trocadilho com um certo governante que existe por aí. Aliás, o polvo já é considerado o mais inteligente dos animais invertebrados.
Se todos os países do mundo fossem desenvolvidos e industrializados, assim como Estados Unidos, Japão e alguns países europeus, precisaríamos de três a quatro Terras. Sim, pois quanto maior o desenvolvimento, dentro da mentalidade atual, maior o consumo e a utilização das reservas naturais. O conforto tem um alto preço também para o planeta. Por isso, é tão difícil convencer os Estados Unidos a assinarem, por exemplo, o Protocolo de Kyoto, documento firmado por vários países que se comprometem a diminuir a emissão de dióxido de carbono na atmosfera, entre outras medidas.
Não fique só esperando mudanças e atitudes governamentais. Faça a sua parte. Comece a mudança por você. A conscientização e a educação ambiental são os pré-requisitos essenciais. Você separa o lixo reciclável do úmido? Dá preferência aos produtos biodegradáveis? Prefere o refrigerante em casco retornável ao refrigerante em casco descartável? A teoria é linda, mas a prática...
Portanto, não é a Terra que pede socorro. É a espécie humana, o Homo sapiens sapiens. Ou, como disse Leonardo Boff, o Homo demiens demiens. De demente, mesmo!
Na condição de único ser vivo que polui e degrada, o homem consegue também destruir outras espécies. Isso é lamentável. Mas, a Terra vai resistir. Para alguns cientistas e ambientalistas, o caos está muito próximo. Os mais pessimistas dizem quatro anos e os mais otimistas, vinte. Secas, enchentes, aquecimento global, fome, pragas. A verdade é dura, mas precisa ser dita.
A receita? Mudar nossos princípios, nossa ganância, nosso consumo exagerado. Já pensou pra onde vai aquele celular que você troca a cada seis meses? E aquelas malditas garrafas pet? O descartável trouxe conforto para o homem e lixo para o planeta.
É, talvez, o último aviso para que a humanidade possa, enfim, descruzar os braços e partir para a ação. Pode ser que não tenhamos uma nova oportunidade.